O green paper lançado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) coloca em discussão um dos temas mais estratégicos para o futuro da mineração brasileira: como transformar o potencial geológico do país em cadeias produtivas mais completas, competitivas e conectadas às demandas globais por minerais críticos e estratégicos.
Um green paper ou “livro verde” é um documento técnico de consulta e debate. Ele não estabelece uma norma final, mas organiza diagnósticos, propostas e caminhos possíveis para orientar políticas públicas, investimentos, inovação e decisões setoriais. No caso do documento do IBRAM e do CETEM, o foco está na estruturação das cadeias de valor dos minerais críticos e estratégicos no Brasil até 2050.
O tema ganha relevância porque o país possui reservas expressivas de minerais associados à transição energética e à indústria de alta tecnologia. Segundo o IBRAM, o Brasil detém 94,1% das reservas mundiais de nióbio, 25,5% das de grafita, 23% das de terras raras e 17% das de minério de ferro. Ao mesmo tempo, importa mais de 90% do potássio e 60% do fosfato que consome, insumos essenciais para fertilizantes e para o agronegócio nacional.
Embora o debate esteja fortemente associado à industrialização, à tecnologia e à competitividade, ele também se conecta diretamente à agenda hídrica.
A expansão de cadeias minerais mais complexas exige decisões bem fundamentadas sobre disponibilidade de água, balanço hídrico, hidrogeologia, hidrologia, deságue de mina, qualidade da água, fechamento de mina e interação entre águas superficiais e subterrâneas.
Na prática, a água pode sustentar, limitar ou condicionar diferentes etapas da atividade mineral. A lavra, o beneficiamento, o controle ambiental, a estabilidade operacional e a relação com comunidades e órgãos reguladores dependem de informações confiáveis sobre uso, disponibilidade, circulação e qualidade dos recursos hídricos.
Por isso, a discussão sobre minerais críticos envolve segurança hídrica, governança ambiental, planejamento territorial, infraestrutura, licenciamento, eficiência operacional e gestão de riscos.
Para mineradoras, fornecedores, consultorias, empresas de tecnologia, instituições públicas e centros de pesquisa, o green paper sinaliza uma agenda de longo prazo. Seu impacto pode influenciar políticas públicas, prioridades de investimento, critérios de rastreabilidade, exigências ambientais e estratégias de desenvolvimento tecnológico.
Se o Brasil pretende ampliar sua presença nas cadeias globais de minerais críticos, a gestão da água precisará ocupar posição central nesse planejamento. Industrializar mais significa também, compreender melhor os recursos naturais que tornam essa cadeia possível.
O green paper está aberto a contribuições e comentários até 30 de junho de 2026, pelo e-mail [email protected]




